A 21ª edição do Big Brother Brasil está dando o que falar desde os primeiros dias, das altas expectativas com os jogadores esse BBB está trazendo, na verdade, mais reflexos da sociedade brasileira do que imaginávamos.

Na segunda-feira da semana passada, 14, Carla Díaz colocou Camilla de Lucas como coadjuvante no jogo da discórdia. Ela ainda acrescentou que ela era a “amiga sensitiva da protagonista”, se foi intencional nós não sabemos, mas é claro que isso despertou um incômodo porque carrega um estereótipo comum muito recorrente na ficção e que se assemelha na vida real.

O arquétipo da “amiga negra da protagonista”

São muitas as histórias que apresentam esse mesmo dilema, um exemplo é o recente filme feminista da Netflix, “Moxie: Quando as garotas vão à luta”. Na trama, Lucy é a personagem que mais se indigna com o machismo que ronda a escola em que acabou de se mudar, mas serviu como um gatilho para que Vivian tome as rédeas da situação e inspire uma luta feminista. Um exemplo adolescente, mas que acontece na vida de muitas mulheres – basta conversar com algumas delas sobre a infância para escutar os relatos traumáticos.

Um clássico para melhor exemplificar: As Patricinhas de Beverly Hills. No filme, Dionne Davenport é a melhor amiga da Cher Horowitz. Dionne sempre dá os melhores conselhos para a loira e a faz abrir seus olhos.

Negras: quase sempre preteridas, dificilmente preferidas

As mulheres negras possuem o primeiro contato com a solidão quando ainda sequer são mulheres. E quando começam a desenvolver forma, são deixadas de lado por aqueles que desejam se relacionar. Você, preta, quantas vezes não viu essa cena:

Você e a sua amiga vão para uma festa, um rapaz encara a dupla e pousa os olhos em você. Vocês trocam olhares e tem a certeza de que o interesse é em você, ele, cheio de intenções, te chama para conversar. Você se aproxima e a primeira frase é “me apresenta a sua amiga?”.

O alvo foi você por achar que seria mais fácil se fizesse amizade com a amiga da protagonista, não é? Posso dizer que essa mesma cena já aconteceu inúmeras vezes, inclusive comigo, até que as negras parem de achar que o interesse é nela, que coloquem a sua beleza, a sua inteligência, a sua forma de se relacionar em cheque – sempre neutra quando se trata de alguma coisa.

E essa situação tende a ser aplaudida até o momento em que os incômodos, tais questões e trajetórias são manifestados. Refletir sobre essas situações, seja na ficção, num reality show ou nas histórias baseadas em fatos reais, faz a gente perceber o quanto a sociedade ainda precisa avançar quando o assunto é representatividade e representação, né? A partir de agora, nós, negras trabalhamos para ser as protagonistas da sua (da nossa) própria história.

Com amor, Ketley!