Nossa cultura há décadas considera a violência contra a mulher um padrão normal de relacionamento. Até a entrada em vigor da Lei Maria da Penha, pouco se falava sobre violência contra a mulher. Ao contrário, crescemos ouvindo o ditado que “em briga de marido e mulher não se coloca a colher”, ou ainda cantarolando que “se te agarro com outro te mato, te mando algumas flores e depois escapo.”

Pois é, eu poderia relacionar uma dezena de ditados ou músicas que, se prestarmos uma atenção maior, são recheados de machismo e mostram o quão corriqueiro (e comum) era (ou ainda é) a aceitação da violência contra a mulher.

Acredito que a Lei Maria da Penha e o advento das redes sociais contribuíram para a mudança da nossa forma de enxergar nosso papel na sociedade. Situações que antes poderiam até ser consideradas expressão de amor, hoje parecem extrapolar o bom senso e colocam em risco o pleno exercício de nossa liberdade (como seres humanos).

Atire a primeira pedra quem não deixou de vestir algo porque um homem lhe disse que não gostava. Eu mesma já o fiz – por isso guardo minhas pedras pra outra ocasião.

Essas atitudes que muitas mulheres acham sinônimo de cuidado, atenção, ou mesmo amor, nada mais são do que a pura expressão do machismo e da ideia de que a partir do momento que estamos num relacionamento, o homem tem o direito de ditar as regras de como devemos nos comportar, vestir, falar, ou até, com quem devemos falar…

O que muitas vezes durante a paixão aceitamos, quando caímos na real, nos causa até vergonha… Mas não se torture, ter consciência desse processo não é fácil. Crescemos achando tudo isso normal… Quantos sapos beijamos esperando que se transformem em príncipes?

Por essas e outras, muitas vezes não entendemos quando vemos na mídia mulheres que após terminarem uma relação começam a acusar o ex de violência, como o tão falado rompimento do casal Duda Reis e Nego do Borel. Tudo parecia tirado de um comercial de margarina e de repente, virou assunto das páginas policiais.

Nessas horas muitas de nós se perguntam: Por que não disse antes? Por que não terminou? Por que aceitou?

Ora, ora, não atire suas pedrinhas… Todas nós um dia aceitamos, vai por mim.

A moça alega traição, violência psicológica e sexual. Diz que, sofrendo ameaças do cantor, era obrigada a ficar calada sobre o que vivia no relacionamento.

Quando a violência é física (e olha que o Brasil está entre os 5 países com maior número de violência contra a mulher) parece mais fácil de identificar a agressão. Mas você sabia que existem outras formas de violência?

A Lei Maria da Penha classifica formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras.

  • a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;
  •  a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima (…);
  • a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força (…);
  • a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades; 
  • violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.

Nos próximos artigos vamos falar com mais detalhes de cada uma delas… Por enquanto, peço que leia com muita atenção o parágrafo anterior e tente lembrar se alguma vez viveu algum tipo de violência ali detalhada.

Posso estar muito enganada, mas acho que assim como eu, você vai ter de guardar suas pedrinhas no bolso e ver que no final das contas, nós mulheres precisamos nos unir, porque quando o assunto é violência, estamos todas no mesmo barco.

Até logo, Amoras!