Mirian Gomes, 48, nascida em Osasco, é advogada especializada em direito empresarial e com participação ativa em causas que podem ajudar mulheres. Mãe de um casal, Mirian é uma mulher ‘gente como a gente,’ sabe?! Aos 20 anos, precisou deixar a casa onde morava com os seus pais, para dar início a sua jornada. A nossa Amora é muito girl power, sim!

No entanto, se engana quem pensa que cursar direito foi a primeira opção dela, pelo contrário, ela queria fazer filosofia, entretanto, os boletos e as responsabilidades a fizeram ir para o meio jurídico, afinal foi preciso escolher entre a paixão e aquilo que pudesse lhe dar estabilidade.

“Venho de uma família basicamente classe média baixa, fui a primeira a fazer o curso superior da minha família”, disse. “A escolha de cursar a faculdade foi por um curso que eu pudesse, de fato, me manter porque eu não conseguia dispersar a ideia de ter uma profissão que não fosse bem remunerada, porque eu não tinha quem pagasse as minhas contas”, contou.

“Sempre gostei muito de escrever e sempre tive esse senso de Justiça muito forte e falei que Direito funciona bem”, Dra. Mirian Gomes

Mirian deixou a casa dos seus pais com 20 anos a sua trajetória de independência. A convivência com seu pai era difícil e esta foi a forma que ela encontrou de ter a sua liberdade: “Na época, eu não via drama nisso. Ter minha liberdade era tão importante que não tinha problema tomar banho de água fria e dormir no chão, sabe?! Eu só sei que eu comecei a me descobrir como ser humano”.

Advogada, escritora, palestrante e mãe

Mirian pode ser o exemplo de mulher multifacetada, afinal a mulher não para. Além da carreira como advogada, ela é escritora e já tem três livros no mercado, sendo dois voltados para ajudar mulheres: Fechada para Balanço, Certas Mulheres e Direito à Imagem nas redes sociais. Como escritora, ela pode alcançar mais pessoas e expandir o conhecimento que tem e, claro, mostrar que podemos ser mais.

Já a Mirian mãe passou por perrengues como muitas de nós. Ela conta que foi mãe um pouco mais velha para poder se dedicar a carreira e ter dinheiro, afinal se algo desse errado iria sobrar para ela: e sobrou. Ela financiou integralmente os dois filhos – agora, a sua filha está indo morar com o pai, mas antes era ela quem a custeava. Essa história te lembra algumas mulheres?

Profissionalmente não seria diferente, mas Mirian ressalta que precisamos confiar mais em outras mulheres, ela destacou que em alguns casos, advogados são escolhidos mesmo sem terem noção do que é ser vítima de uma violência.

“O meio jurídico é muito machista. (…) Muitas mulheres acham que o homem vai fazer melhor e também é cultural. O homem nem que ele queira, nem com doutorado ou PhD, ele nunca vai saber o que a mulher está sentindo ali”, conta a advogada.

A advogada diz que mulheres precisam se unir e apoiar umas às outras: “A mulher também precisa começar a recorrer à mulher (…) A gente tem que começar a se unir e confiar mais principalmente profissionalmente. Isso não é um ‘atire a primeira pedra quem nunca pecou’, é um a gente começar a prestar atenção nessas coisas”, finaliza a especialista. A advogada conta que mulheres podem e devem contratar mulheres para as defender, por exemplo, nos tribunais.

Todos os sonhos são possíveis…

Assim como muitas de nós, Mirian acredita que todos os sonhos são possíveis, mas lamenta que ainda tenhamos que nos dedicar o dobro ou triplo para conseguir o que queremos. 

“Eu acho interessante mostrar que todo sonho é possível. Assim, sonhe e vai atrás independe de você ser mulher e é triste dizer ‘independente de ser mulher’, porque a gente sabe que se o homem tira 7 ele está no primeiro escalão. A mulher tem que tirar 20 que é uma nota que nem existe”, disse.

Mirian relembra que em algumas reuniões de trabalho só tinham ela representando mulheres ao redor de muitos homens: “O Brasil, infelizmente, vive preconceitos estruturados e muitas vezes velados e com a mulher é um desse”.

Ao falar sobre as violências que as mulheres sofrem, ela recorda frases ditas como, por exemplo, “em mulher não se bate nem com uma flor”: “Eu falo ‘gente, não bate nem com uma flor e por que a gente tem tanto crime contra a mulher? Deviam falar que não é só bater. Para mim, a principal forma de agressão contra a mulher é agressão verbal, o assédio moral”

“A regra é o respeito. É a dignidade. E a gente não percebe”, destaca a especialista.

Para saber um pouco mais sobre a nossa especialista, confira a resposta da Dra. Mirian para quatro perguntinhas das Amoras:

Quais livros levaria para uma ilha deserta? 100 anos de solidão – Gabriel Garcia Marquez

O que você faz para não pirar durante o caos? Se trancar no quarto ver tv ou ler um livro – pra não pirar no caos, a gente tem que buscar a ficção de vez em quando

O que todo mundo ama, mas você detesta? Ovo

Música pra hora do sexo: “Depende do tipo – pode ser uma música agitada se for hard e uma lentinha se for um amorzinho”

E aí, Amora?! Prontas para saber mais sobre o meio jurídico de um jeito simples e com uma mulher inspiradora? A gente te espera.