Toda mulher conhece alguém que tem uma grande dificuldade para dizer “não” – ou ela mesma foge das frases negativas. Esse grupo, geralmente formado por mulheres, busca recorrentemente pela validação de outras pessoas. Mas, você sabia que esse problema se chama Síndrome da Boazinha?

As mulheres que enfrentam a Síndrome da Boazinha são àquelas que têm uma necessidade compulsiva de agradar os outros e, por isso, encontram dificuldade na imposição de limites e em dizer “não”. O comportamento característico de alguém que sofre dessa síndrome pode ser prejudicial quando passa a existir uma preocupação excessiva para corresponder às expectativas dos outros, deixando suas próprias vontades e necessidades de lado.

“[…] a recompensa por ser boazinha, em circunstâncias repressoras, é a de ser mais maltratada”

ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com os lobos, cap. 3, pg. 104.

A princípio não há nada de errado no desejo de satisfazer quem se quer bem, mas a continuidade desse desejo tende a provocar certa submissão. A autora de “Mulheres que correm com os lobos”, Clarissa Pinkola Estés, fala sobre a submissão e um aparente heroísmo: “a submissão sem queixas é de aparente heroísmo, mas na verdade gera cada vez mais pressão e conflito entre as duas naturezas opostas, a boa demais e a exigente demais”.  

O prejuízo surge quando a nossa “agradadora” começa a abandonar suas vontades e necessidades, ficando frustrada e sofrendo por não conseguir atingir os seus objetivos.

A Síndrome da Boazinha afeta só os meus relacionamentos?

A Síndrome da Boazinha se estende para todos os setores da vida, afeta do pessoal ao profissional, do amoroso a toda forma de contato social. Afinal, a generosidade em excesso não é destinada apenas a uma pessoa, mas, também, aos diferentes grupos de convívio social – seja ele conhecido ou não.

As mulheres se encaixam no perfil que mais sofre com essa síndrome pelo modelo educativo patriarcal que prevalece no meio de criação. Ali, as mulheres são criadas para: ajudar, cuidar e ser devota ao outro. Crenças limitadoras e uma educação rígida também podem causar a Síndrome da Boazinha em uma mulher.

“Esse excesso de adaptação na mulher “boa demais” ocorre muitas vezes quando ela tem um medo desesperado de se ver privada dos seus direitos ou de que a considerem “desnecessária”.”

ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com os lobos, cap. 3, pg. 111.

Mas, Amora, quando sabemos que precisamos dar outros passos?

A Síndrome da Boazinha demonstra sinais característicos que vão além da dificuldade de dizer não e do medo de desagradar, pois toda essa situação provoca desgaste físico, mental e emocional pelo acúmulo de compromissos e tarefas, uma necessidade constante de aprovação, dificuldade para fazer críticas – mesmo que estas sejam construtivas – e a omissão frente às injustiças.

A longo prazo, esse desgaste pode gerar estresse, insatisfação e angústia constante. Alguns “bonzinhos” patológicos desenvolvem outros tipos de doenças, como dores crônicas e transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade, além de apresentar compulsões, como a alimentar.

Mudar esse padrão de comportamento não é muito fácil. O indicado é buscar um especialista, psicólogo ou psicoterapeuta, para desenvolver a consciência sobre o problema e entender o que o provoca e faz mal, buscando técnicas para mudar esse hábito.

“A submissão sem queixas é de aparente heroísmo, mas na verdade gera cada vez mais pressão e conflito entre as duas naturezas opostas, a boa demais e a exigente demais. […] A mulher que está dividida entre essas duas atitudes está no caminho certo, mas precisará dar os passos seguintes.”

ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com os lobos, cap. 3, pg. 111.

Algumas atitudes como se colocar no foco da narrativa e flexibilizar o seu comportamento podem auxiliar nesse momento de transição entre a síndrome da boazinha e a autovalorização.

Essa obediência provoca uma descoberta chocante para as mulheres, que percebe que “ser nós mesmas faz com que nos isolemos de muitos outros, entretanto, ceder aos desejos dos outros faz com que nos isolemos de nós mesmas”. Você prefere se desconectar de terceiros ou de si própria?

Com amor, Amora!